Equipe de Supervisão

Vanessa Miranda

Supervisora.

Eu tenho um caso de amor com a educação, mais especificamente com a escola, com o ambiente escolar. Na minha história a escola sempre foi um espaço de felicidade, de encontro com pessoas que eu admirava, um local em que circulava saberes dos mais diversos. Aprendíamos conteúdos e conceitos enquanto aprendíamos a nos relacionar, enquanto incorporávamos e negociávamos as referências culturais sul-americanas, brasileiras, nordestinas, baianas, soteropolitanas, da comunidade escolar e das nossas próprias famílias na construção do aprendiz que éramos e que queríamos ser. A escola era um espaço de histórias! Sempre me instigaram as histórias, como elas se cruzavam, como seus enredos eram construídos, quem eram seus personagens, os valores que as formavam e por isso eu ouvia, e ouvia e ouvia...

Foi na escola que me sugeriram a Psicologia como opção de graduação e aquilo me pareceu muito interessante. Mas eu também queria ser bióloga marinha, advogada, produtora de eventos, escritora... eu queria as diversas e distintas histórias que perpassavam por esses mundos. Eu tinha muita curiosidade por uma variável impressionante de coisas, tanto que em minha família me diziam que eu “inventava moda” - inventei muiiiitas (pintei, costurei, reformei móveis, toquei teclado, produzi peças de teatro...)... eu queria saber mais e mais e mais quais eram as histórias das coisas, como poderiam ser as histórias das coisas, eu fazia de minha casa uma extensão da escola e vice-versa. Família e escola sempre estiveram conectadas na minha vida e formam a minha história.

Encontrei primeiro na minha família e na minha escola e posteriormente na escola sobre a família, na psicologia sistêmica, e posteriormente no olhar sobre mim mesma enquanto aprendiz, no construtivismo sociocultural, como as histórias nos moldavam e as diversas possibilidades de construção de mundos que emergiam dos encontros em que elas se formavam. Eram livros, revistas, filmes, séries e eu absorvendo o máximo de detalhes de cada uma delas. E aí veio Alexandre Amaral, a pós graduação em família e casal, Nina Guimarães e a formação no Humanitas em 2005. Divisor de águas... Aqui me vi com uma lucidez nunca antes imaginada! Aqui soube que eu sou e construo coerência, que eu sou e construo acolhimento, que eu sou e construo integração, que eu sou e construo autenticidade, que estruturo e delimito fronteiras, que eu sou e construo assertividade, que eu sou e construo espaço de intimidade relacional por onde passo. Aqui entendi, descobri e me deparei com aspectos delineadores da minha identidade profissional e como aprendiz. Daqui quis ver e saber as demais histórias no mundo. Aqui construí meu pertencimento à psicologia sistêmica.

E a minha curiosidade? E a escola? E aí, outro giro. Num grande salto cruzei o oceano para me adentrar ao mundo das histórias sobre o aprender e o aprendiz, ao mundo das histórias sobre a educação, ao mundo das histórias sobre intervenção e transformação social. Literalmente a outro mundo. De Salvador à Barcelona, da Bahia à Catalunha, do Brasil à Espanha, da América do Sul à Europa. Outra língua, outro clima, outros costumes, outras histórias sobre a escola, outras formas de estar em família, um vasto campo de novidades e muita responsabilidade. Barcelona era o outro mundo que se tornaria meu. Meu sonho, meu projeto, minha luta pessoal, meus desafios, minha força, meu escudo protetor, minha mola propulsora. Um encontro de culturas e histórias sobre si mesmo, um encontro com as possibilidades de histórias sobre aprender a ser, aprender a estar, aprender a aprender.

Na cidade de Barcelona e nos programas de mestrado e doutorado me recoconstrui como aprendiz. Foi uma reconstrução, eu já me movia com e através das experiências de aprendizagem e suas histórias. Foi um coconstrução, constituída e transversalizada pelas pessoas, cultura, língua, símbolos e experiências aí vividas. Ali vi a minha história por inteiro e me confrontei com tudo que podia construir através dela. Com as inúmeras possibilidades de caminhos a se re-co-construir enquanto aprendemos a aprender relações, conceitos, emoções. Em Barcelona enfrentei e encarnei a versatilidade, o compromisso, a velocidade, a minuciosidade e profundidade. Em Barcelona vivi oportunidade, desafio e consistência. Em Barcelona o construtivismo sociocultural se constituiu como a lente com a qual nos vejo no mundo.

Pertencendo à psicologia sistêmica e utilizando a lente do construtivismo sociocultural me constituo profissionalmente. Passeio pelas histórias sobre indivíduos que são famílias, que são sociedades, que representam culturas, que se estruturam em fronteiras e limites em que se aprende sobre o mundo e sobre si mesmo no mundo. Essas são as histórias que definem a minha prática, que traduzem a representação da psicologia em mim e que compõem o cenário onde deixo minhas marcas enquanto psicóloga.

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