Equipe de Supervisão

Nina Guimarães

Diretora e Supervisora 

Irreverência é a palavra. Ela me capturou nas leituras de Cecchin, um ícone da Escola de Milão. Enquanto lia seu conceito e imaginava como transpo-lo para a prática clínica revisitava minha história e sentia que estava diante de um novo território de existência.  - percorrer os corredores de Milão. Faria um pouso ali, antes de minha próxima decolagem. Ser irreverente era me autorizar pensar diferente, ter coragem, encarnar um estilo, percorrer histórias de vida com paixão, intensidade, curiosidade e compromisso. De alguma maneira me sentia legitimada pelos princípios dessa Escola, pela liberdade de não me prender a apenas um modelo e poder transitar por diferentes teóricos. “Flertar” com as singularidades dos mestres, nos livros, quando os lia, e na vida, em cada oportunidade de estar em presença deles enebriada por suas atuações, me permitiu ser o resultado de um rico mosaico inicialmente composto por Cecchin, Boscolo, Selvini, Cirillo, Andolfi, Mony Elkaim. Quando a Narrativa e as Práticas Dialógicas anunciaram mais um aquecimento de minha alma, fui novamente preenchida por Michael White, David Epston, Harlene Anderson, Sheila McNamee, Marilene Grandesso, que continuaram a fazer história em mim. Poder construir mapas de mundo com meus clientes e alunos através dos diálogos apreciativos que evocam a criatividade da Narrativa e o caráter genuíno da Colaborativa são passos marcantes de minha trajetória mais atual.

 

A interlocução de todas essas vozes me constituem como pessoa e terapeuta, porque acredito na potência de cada encontro vivido e sentido em presença delas. Encarná-las na minha prática clínica, na docência e no ofício de dirigir o Instituto Humanitas é a oportunidade inestimável de honrar o precioso legado que recebi. Transito na Psicologia dentro de sala de aula, no consultório e, principalmente,   como aprendiz, professora, supervisora e diretora do Instituto Humanitas.

 

Clinicar é passear na vida do outro, é reconhecer a cumplicidade e a confiança de um encontro profundo entre nós, terapeutas, e nossos clientes. É ofertar um caleidoscópio para quem só enxerga pelo binóculo. Lecionar é o fascínio de construir conjuntamente um saber em evolução com os alunos, além de me manter reciclada nos fundamentos teóricos de minha prática clínica. Supervisionar foi um salto na profissão, pois a bagagem adquirida nos anos de experiência me permite instigar no terapeuta as características pessoais que podem se transformar em recursos terapêuticos, esculpindo um estilo próprio e intransferível de quem chega muitas vezes como “pedra bruta” e sai como “joia rara”. Esses percurso artesanal me convida a revisar minhas crenças e meus valores ao lidar com estilos tão diferentes que merecem co-existir.

 

Essa é a trajetória vivida em meus vinte e cinco anos de profissão. A Psicologia Clínica é parte de minha identidade, ela me compõe como sujeito no mundo. A Formação do Humanitas é o cenário familiar que me permite transcender os limites da clínica e oferecer à comunidade o princípio de humanidade que nos define. Fazer parte e, de certa forma, “reger” a “Família Humanitas” é a concretização de um sonho - é ser gente de verdade, em um cenário “uterino” que acolhe e gera afetos e conhecimentos que contribuem para um mundo melhor. 

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