Equipe de Supervisão

Caroline Góis

Supervisora.

CRP 03/03437

Ouvir histórias sempre fez parte de minha vida e despertava muita curiosidade. Saber o que havia ocorrido antes de minha chegada, como as pessoas tinham se conhecido e entrado em nossa família me enchiam de entusiasmo e ampliavam a compreensão de como as relações foram se construindo. A cozinha era o lugar favorito para que essas histórias emergissem, ouvir minhas avós, minha mãe, minhas tias, observar as expressões, sentir os cheiros, o perfume que os temperos e palavras despertavam, me ajudavam a embarcar em mundos novos, viajava e passeava por diferentes caminhos.

 

A curiosidade sempre foi uma característica presente, na fase dos "porquês", assistir a um filme em minha companhia era uma missão para os fortes! Por que isso? Por que aquilo? Por que é assim?... Ouvir porque sim, nunca foi suficiente, e ainda bem que ao meu redor eu tinha bons fomentadores de explicações e reflexões. As respostas não vinham com definições, muitas vezes vinham com convites a pensar sobre as coisas. Acredito que fazer parte de uma família tão eclética, com muitos arranjos pós-modernos convivendo com modelos bem conservadores, contribuíram muito para que eu entendesse que nada deveria ser por ser, para atender às normas, mas sim, permeado sempre pela escolha, pelo respeito a si e ao outro, pelo compromisso e suas consequências e acima de tudo pelo afeto.

 

Essa última palavra -afeto- sempre me acompanhou, nas várias cidades em que morei, nos diferentes estados, com culturas tão  diversificadas, encontrar a via do afeto foi o eixo de conexão, de construção de vínculos, de possibilidade de vivência de muitas histórias, experiências e descobertas.

 

De volta à Salvador, descobri na escola o que um Psicólogo poderia fazer e então decidi que aquele seria meu caminho. A possibilidade de ouvir histórias sobre pessoas, a partir do ponto de vista delas e ainda poder vivenciar um espaço de construção de afetos, parecia a profissão ideal.

 

Na Universidade fui apresentada a muitas teorias, muitas formas de pensar, explicar os fenômenos, as pessoas, as ações, mas a forma afetuosa, consistente e arrebatadora com que a Sistêmica me foi apresentada, não deixou dúvida quanto a lente que escolheria para estar com as pessoas.

 

Neste Instituto, o Humanitas, com Humanidade no nome, encontrei as bases epistemológicas, os autores, os mestres e vozes internalizadas que carrego até hoje na minha atuação como psicóloga clínica. Atuar no consultório atendendo casais, famílias e indivíduos é um desafio constante, com profundos ensinamentos sobre o Humano e suas possibilidades.  Até hoje esses encontros promovem descobertas, reflexões e ensinamentos sobre as transformações que uma escuta atenta pode convidar a existir, coconstruindo novos mundos, novas narrativas e novas possibilidades.

 

No Humanitas nomeei e refinei outras paixões, a docência e o lugar de Supervisora. Poder emprestar meu afeto, curiosidade e compromisso com o humano para contribuir na formação de colegas, de novos terapeutas, convidando "o aprendiz" a mergulhar na sua subjetividade, na sua história para com isso, acessar o outro, conectam valores que me constituem, que me definem e constroem como vejo as relações e o mundo.

 

Ao longo desta trajetória dentro da abordagem sistêmica, tive o privilégio de montar um serviço de psicologia hospitalar,  confirmando que esta lente contribui de maneira diferenciada em contextos além da clínica. Mais uma vez o pensamento sistêmico possibilitou que o olhar para as relações transformasse situações de dor, sofrimento, perdas, luto e imprevisibilidade em momentos de resignificações e ampliação de linguagem.

Hoje legitimar os recursos, vivenciar um novo ritmo, menos frenético, mais contemplativo e ainda assim ajustado às necessidades deste mundo ágil, veloz e produtivo, tem me tornado uma terapeuta, supervisora, docente, mãe, mulher, esposa, pessoa, mais atenta à necessidade das pausas, das pequenas e fantásticas descobertas "dos primeiros passos", das novas formas de fazer diferente e poder acolher e incentivar que essas mudanças são possíveis, pois somos capazes de renarrar e reconstruir nossas histórias quantas vezes forem necessárias...

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