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Carta da Sensatez

 

Espero que essa carta transmita parte de nossas emoções e sensações 

 

Eu sou a sensatez. Não costumo estar presente sempre, mas quando não estou por perto, muitas vezes faço falta. Faço falta porque permito que muitas reatividades se expressem e, às vezes, estraguem o que podia continuar sendo belo. A sensatez permite que encarnemos as sabedorias da vida, pois ela imprime uma enorme porção de prudência, maturidade e serenidade para pensar, refletir e fazer boas escolhas. Eu repouso na sua vida sempre ao seu lado, mas nem sempre você me convida para entrar. Existem emoções que me fazem desaparecer - a raiva, o ódio, o amor, a paixão, porque são emoções fortes e preponderantes que geralmente me dão um coice e me levam para longe de você. Será que você percebe a minha presença ou quando não consigo permanecer perto de você ? Você é daquelas pessoas que tem consciência de que eu preciso fazer mais parte de sua vida?

 

Em momentos de crise, como agora na Pandemia, eu sou muito necessária, mas, infelizmente, alguns de vocês me esquecem e o cenário fica perigoso. Na crise, perdemos muitas pessoas, coisas, ideias, salários, mas, principalmente, certezas. E quando nos sentimos tão vulneráveis, tomamos algumas atitudes impulsivas, vestimos verdades insensatas e até achamos que podemos ensinar ao outro a melhor forma dele viver. Gente, é verdade, achamos que podemos fazer isso !!! Que insensatez. Essa é  minha inimiga, é doida, vaidosa e comete muitos equívocos. Eu, diferentemente, sou convocada quando a coisa aperta, quando você se permite a pausa reflexiva que te obriga a pensar. E quando a gente resolve parar para pensar a gente se implica. Ou melhor, a gente tem espaço para pensar o que estamos fazendo, se realmente estamos contribuindo com o momento crítico ou se apenas criticamos, exigimos, esperamos e sugamos o máximo do outro até que ele possa chegar ao extremo de perder o fôlego. 

Eu chego para acomodar as emoções. Para te oferecer lucidez, para te tornar mais sábio. 

 

Na condição sensata, eu fortaleço suas melhores ideias e te convido a ser sua melhor versão. Eu pondero o ponto de vista do outro, sou humilde e não me furto

de aprender com todos aqueles que escuto. Eu aumento minha escuta e falo menos. Afinal, a sensatez é humilde e consciente para dar lugar de existência ao outro, porque ela exerce influência à vaidade e à crítica, permitindo que ambas se controlem. Essas duas, coitadas, menos nobres, são muito conversadeiras e espaçosas e desmerecem o outro com muita facilidade. Eu chego e muitas vezes nem preciso falar. A minha presença e meus atos, em si, já fazem com que elas parem e pensem nas inúmeras inconsequências que cometem. Às vezes as coitadas sentem alguma vergonha, mas não tem problema, a gente pode errar mesmo, mais o melhor mesmo é reconhecer o que não está bom.

 

Bem, falei muito, talvez, demais, mas acredito que minhas palavras possam ficar impressas na sua mente e no seu coração e te ajude a refletir mais. Eu sou um hóspede permanente dessa Pandemia, eu te ajudo sempre que você se permite a aprender em meio a tanto sofrimento, a tantas perdas, mas, acima de tudo, eu sou sua parceira em cada desejo seu de se transformar. Obrigada pela oportunidade de falar um pouco mais de mim, ficar mais com você e me permitir deixar rastros que possam ser úteis.

 

 

Até breve, Sensatez.

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